O ASSASSINO DO ELEVADOR
CAPÍTULO 1
A ASCENSÃO E A INVESTIGAÇÃO
Na polícia, os melhores investigadores, os melhores detetives da Força surgem do nada.Eu era o parceiro do detetive Ramos na época, quando nós éramos apenas policiais de patrulha.Na polícia, você tem que dar tudo de si para desvendar um caso.E é esse caso que te põe na vitrine policial e nas capas dos jornais da cidade.E foi exatamente quando éramos meros policiais patrulhadores, pela inexperiência, que o caso mais importante de nossa carreira (naquele tempo) surgiu, absolutamente do nada, quando nós menos esperávamos que algo daquela magnitude iria acontecer.Ainda mais conosco.Hoje, ainda olho para o rosto de Detetive Ramos e encontro a mesma expressão de anos atrás, quando tal caso aconteceu.
A nossa ascensão na Força Policial começou ali.
Era tarde da noite quando Ramos e eu estávamos fazendo a patrulha diária.Depois de um longo dia de fiscalização pela cidade.Esta era a última e, por e ser muito tarde, seria a menos "conturbada",por assim dizer.Estávamos no último "ponto" da patrulha noturna.O carro se dirigia pela Avenida Atlântica;o rádio embutido no veículo noticiava acontecimentos ao nosso redor, por toda a cidade.Haviam ocorrências desde perturbações durante a noite, depois das 22h até apreensões de drogas em grande escala, o que com certeza estaria nas manchetes de jornais na manhã seguinte;ou até depois disso. O que era para ser uma simples patrulha se tornou algo muito mais complexo do que isso quando vimos um homem grande vestido de preto (na verdade, era um vulto), vestido como um banqueiro, mas com pinta de apostador, caminhando a passos largos para fora do Bar do Michel, virando uma esquina e sumidos à nossa vista. Isso seria um fato normal, se as pessoas dentro do bar (a maioria delas) não estivessem acompanhando o homem de preto com o olhar à medida que ele se afastava do recinto.
-Algo de errado há com este bar- disse Roque Ramos.-Vamos, Thomas.Vamos ver o que aconteceu neste bar.Talvez, se dermos sorte, conseguiremos uma investigação.Mesmo que seja pequena, já é alguma coisa.Nesses tempos difíceis para o Departamento, com muitos crimes, dificilmente eles irão querer perder o seu pessoal mais experiente...
-OK, mas lembre-se de ser breve.Pelo menos por hoje à noite.Já passam das 23h e o nosso turno já está acabando!Voltaremos amanhã de manhã, certo?-eu perguntei.
-E eu tenho escolha?-resmungou Ramos já encostando o carro.
O Bar do Michel era um lugar bem arrumado;típico lugar para se tomar alguns drinques e se distrair numa noite de sexta feira, depois de um longo dia de trabalho e de uma longa jornada durante a semana.As parede eram cobertas por anúncios de cervejas e de cigarros, que estavam à venda do caixa à nossa direita, onde um homem, de aproximadamente 45 anos estava sentado numa cadeira atrás do balcão, repleto de balas e doces.
-Com licença, senhor.
-Sim?-respondeu o homem.
-Somos da polícia - mostrei o meu distintivo - Gostaríamos de saber o que aconteceu aqui há alguns minutos atrás...Suponho que você seja o Michel?
-Sim, sim... Sou o dono desse bar há décadas... E em relação ao que aconteceu, não há muito a contar. Dois amigos, o Valdir e o Dibinho, estavam tendo uma discussão.Sabe como é não é?Depois de uns drinques qualquer José vira Joaquina... -disse o homem com um sorriso nos lábios.
-Ah, mas é claro... Mas sobre o que eles estavam discutindo?O senhor ouviu algo pertinente?-Roque Ramos indagou ao homem que agora parecia meio pensativo, talvez por estar tentando lembrar os eventos dos minutos seguintes.
Depois de alguns instantes ele disse:
-Bem, eu conheço esses dois há um bom tempo...Eles estavam conversando sobre apostas como sempre...São dois apostadores.E dos bons.Se querem saber a minha opinião, são bons até de mais!Sempre foram suspeitos por essas bandas.Eram apostadores, pelo menos foi o que eles disseram.-respondeu Michel.
-O senhor ouviu mais alguma coisa?-eu perguntei.
-Havia algo sobre uma tal de Pola...Parece-me um nome de mulher, ou um tipo de apelido.Aliás, o homem com quem aquele cara estava discutindo saiu no momento em que vocês entraram...
O homem não parecia estar mentindo.Deixei Roque Ramos fazendo as perguntas por um momento e pegando as descrições físicas de cada um dos “suspeitos” e comecei a investigar o bar.As mesas eram bem distribuídas, uma meticulosamente eqüidistante da outra. “Que bar mais organizado”, pensei.Mas havia uma mesa fora do contexto.Uma mesa quase nos fundos do recinto.Uma que me chamou a atenção.Passei pelos clientes que enchiam a cara sem piedade e cheguei à mesa.O motivo pelo qual esta mesa me chamou a atenção era a garrafa quebrada no centro dela. “Parece-me que foi algo além de apenas apostas, hein?”.
Examinei a superfície de plástico e não encontrei mais nada de muito importante.Dois copos enchidos até a metade se posicionavam em frente à cada cadeira posta do lado da mesa.Realmente só haviam eles dois conversando.
Roque Ramos terminou de questionar Michel (aliás, o deixou bem incomodado com seus tipos de pergunta) e se dirigiu a mim:
-O que temos aí?
-Nada...Só uma garrafa quebrada, os dois copos em que eles bebiam e nada mais.Vamos dar o fora daqui.Já comunicou a Central?-perguntei.
-Eu o farei agora.Vamos.
Depois de conseguirmos a permissão para investigar este “caso” mais a fundo no dia seguinte, voltamos ao nosso carro.
-Parece que agora poderemos colocar uma roupa mais estilosa...-disse Ramos.
-É mesmo...-disse meio ríspido.Mas por dentro, estava vibrando por ter a chance de finalmente investigar algo interessante além de apenas carregamentos de drogas e apreendimento de armas e produtos comercializados ilegalmente nas ruas.
NÃO PERCA O PRÓXIMO CAPÍTULO!
Capítulo 2- Temos a nossa chance